A Logosofia como ciência da observação

É tendência geral observar para criticar, ou para apontar defeitos, esgrimindo constantemente a ironia sutil, que se esboça no rosto ao descobrir no semelhante as falhas ou imperfeições de seu caráter ou procedimento. Só quando o ser sente sobre si a intolerância alheia, a mesma que ele antes manifestara para com os demais, é que percebe a necessidade de voltar os olhos para motivos que predisponham melhor seu juízo e que não lhe sejam molestos, como no caso citado.

As observações que fazemos sobre os demais devem servir à própria razão e contribuir para o melhoramento individual, pois da observação justa e inteligente surge a capacidade para corrigir os defeitos próprios. Assim, cada semelhante se converterá num espelho no qual cada um verá projetada sua imagem. Se tomarmos para observar, por exemplo, os belos gestos ou modos, as atitudes justas ou a conduta nobre, instituindo-os como modelos que servirão para aperfeiçoar nossa cultura, e tratarmos de nos assemelhar a eles, veremos que a observação assumirá para nossa vida uma importância indiscutível.

E se, por um lado, serão melhoradas as características próprias pelo cultivo das qualidades observadas em pleno apogeu nos demais, por outro será necessário corrigir quaisquer falhas ou defeitos que entorpeçam o livre desenvolvimento dessas condições, já que o fato de não fazê-lo significaria colocar-se sempre numa escala de inferioridade, que de nenhuma maneira convém ao conceito que cada um deseja que os demais tenham dele.

A Logosofia, ao ilustrar sobre a importância da observação como um dos meios individuais de aperfeiçoamento, também assinala que se deve alcançar uma verdadeira técnica na ciência de observar. A isso obedece o fato de ela salientar a necessidade de orientar a observação para fins sempre úteis ao processo de evolução, e que sejam férteis no sentido de auxiliar a inteligência na busca de elementos para ampliar os conhecimentos e aumentar o cabedal do saber.

Como ciência integral, propicia todas as observações que contribuam para ampliar o campo das experiências, já que, nas múltiplas fases em que costumam se configurar, delas podem extrair-se valiosíssimos ensinamentos.

Fica assim esclarecido que a observação deve ser considerada questão fundamental para a evolução consciente do ser. E se for avaliado o que isto significa para a superação individual, ver-se-á que na vida diária é pouco ou nada o que se observa, visto que simplesmente se vê o que se quer ver, e na maior parte das vezes até isso é julgado de forma arbitrária.

Logosoficamente, observar é exercitar a reflexão enquanto o entendimento estende sua mão para tocar e palpar o que se vê. A observação é, portanto, ativa, nunca passiva ou indiferente; e, sendo ativa, é lógico que deva encontrar a mente sempre disposta a receber com alegria o fruto da observação, e que este fruto sirva eficazmente ao enriquecimento das energias internas do ser.

Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 1, p. 107

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol) – Criador da Logosofia

Arcanos do conhecimento

A Criação é a culminação máxima do pensamento universal de Deus. Como tal, é perfeita em sua concepção.

Para o homem, que é uma partícula dessa Criação, só se acha manifestado à sua consciência aquilo que sua inteligência descobre, à medida que evolui em direção à mais elevada expressão de sua integridade.

Dentro da Criação, não é possível conceber a menor imperfeição. E, para evitar o paradoxo que é atribuir a ela as chamadas imperfeições do homem, é preciso admitir, pela força irrefutável da realidade, que a imagem do ser humano, como parte integrante da concepção universal, é perfeita; noutras palavras, o homem é um dos tantos produtos dessa Criação.

Entretanto, o fato de haver sido criado perfeito não implica que deva, necessariamente, desfrutar tal perfeição, pois isso não será possível enquanto não consiga identificar-se, por próprio esforço, com essa perfeição.

Eis, pois, quão grande é a sabedoria plasmada na própria Criação. O ser humano é um conteúdo maravilhoso de possibilidades, e é à razão e à inteligência do homem que corresponde a elevada missão de conhecer cada uma delas e alcançar tal identificação.

Todos os defeitos tidos como imperfeições, ao se falar das características humanas, das alterações de seus traços psicológicos e das deficiências de seu temperamento racional, são tão-somente resultados da ignorância em que o ser vive com relação às aludidas possibilidades.

A superação integral, chamada também aperfeiçoamento de si mesmo, não é outra coisa que o despertar da consciência, com cujo impulso começam a verificar-se no ser diversos movimentos psicológicos de profunda repercussão interna, que, ao porem em atividade as células adormecidas que em potencial contêm o papel assinalado a cada possibilidade, vão transformando a vida numa nova expressão, a qual, sob o rótulo de civilização, continua prosperando de idade em idade, até lhe ser dado alcançar sua máxima finalidade, que é a plena consciência de sua perfeição, que implicitamente significa o pleno e total domínio do pensamento-mãe da mente humana, em relação direta com o pensamento da Mente Universal. É o momento em que se estabelece uma conexão irrompível com os verdadeiros agentes do pensamento onisciente do Supremo Criador.

Pode, porventura, o selvagem ou o carente de toda cultura experimentar a realidade de sua existência e a da própria Criação, só pelo fato de viverem e de sua vida estar contida no físico humano? Que é, senão a ampliação de perspectivas, o que faz o homem conceber sua existência como a coisa mais preciosa que Deus lhe permitiu desfrutar, sendo motivo de tão grandes e gratas satisfações?

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol) – Criador da Logosofia

Atividade e descanso – como encará-los?

– Uma das experiências logosóficas que mais tem chamado a atenção de muitos é a que impele a estar sempre mentalmente ativos, como condição indispensável para conseguir realizações efetivas, ou seja, de caráter permanente. Não sendo assim, não se poderiam obter as grandes vantagens que a Sabedoria Logosófica preconiza. Mas será absolutamente necessário manter um ritmo constante de atividade mental? Fatigar a mente com um contínuo tráfego de pensamentos não poderia ser prejudicial?

 

– Tudo depende de como se considerem ou se entendam as coisas. Em primeiro lugar, o método logosófico estabelece que, aos trechos intensos de estudo ou de atividade mental, devem seguir outros de descanso, durante os quais é recomendável distrair a atenção em coisas úteis, em lugar de entregar-se a distrações pueris. Desse modo, a mente recebe uma compensação feliz que a descansa num proveitoso sossego e a prepara, ao mesmo tempo, para uma nova atividade. Por outro lado, o descanso físico e psicológico que o sono proporciona durante a noite é mais que suficiente para restituir os desgastes produzidos pela vigília.

 

A vida, para cumprir seus ciclos de renovação, deve estar, tal como a água,

em permanente atividade

 

– Quer dizer, então, que o descanso é necessário à mente, mas concebido sempre de forma proveitosa e alternando-se com estudos intensivos?

 

– Para maior compreensão, será apresentada uma analogia: os ensinamentos logosóficos são como a água cristalina que flui de um lençol fecundo. De um lado, levam consigo a força fertilizante, e, de outro, saciam a sede. Não se deve deixar que essa água se es­tanque, pois correr-se-ia o risco de converter em lamaçal o que deveria ser vale fecundo.

 

Como se pode apreciar na própria Natureza, a vida, para cumprir seus ciclos de renovação, deve estar, tal como a água, em permanente atividade. Todo instante inativo sempre tende a prolongar-se além da conta, transformando-se em preguiça.

 

Para evitar cair em tão sedutora prostração, os preceitos logosóficos devem fixar ou estabelecer como norma uma atividade que exclua to­da inação, sempre perniciosa.

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol) – Criador da Logosofia

A superação integral como objetivo

Embora seja certo que muitos desejam uma superação de suas vidas, por se sentirem desconformes com a passagem monótona de seus dias – que se sucedem e se repetem como algo fatal, sem nenhuma variação que estimule o espírito, tal como a gota d’água a cair sempre de modo igual –, nem todos se empenham em realizar esse objetivo com a resolução, paciência e constância que são requeridas por um processo de superação integral, o qual exige, como requisito indispensável, que se trace um plano de trabalho pessoal.

Este plano consiste na observação ininterrupta de todos os movimentos diários que se referem tanto aos pensamentos quanto às atuações que o indivíduo está habituado a desenvolver no curso de seus dias. Mencionamos os pensamentos em primeiro lugar porque são eles os que têm a principal interferência na realização de tal processo.

A preparação interna que se realiza com vista ao desenvolvimento da inteligência, por exemplo, requer ser assistida por uma firme vontade de alcançar um verdadeiro  adiantamento em cada um dos conhecimentos comuns em que a vida diária se desenvolve. A preocupação básica é neste caso permanente, e preside uma por uma das horas que se vivem. Assim, sendo permanente o empenho, haverá uma melhoria de todas as atuações e se tratará, ao mesmo tempo, de ir superando a cada dia as atividades que se vão desenvolvendo, pois nada pode estimular mais, nem causar alegria mais terna, do que observar o progresso obtido em cada superação.

A ninguém está vedado superar suas próprias condições

Porém, há algo que vai além das atuações ou atividades externas, isto é, daquelas que comumente se realizam; esse algo é a superação integral, que não deverá ser feita visando apenas a um maior desenvolvimento da inteligência, mas para alcançar todos os confins da vida do ser. E, para isso, será necessário que este crie no interior de si mesmo o ambiente adequado, a fim de que frutifique o bem que se persegue.

Saber que se pode ser mais do que se é e ter mais do que se tem, mercê dessa superação em que a alma deve se empenhar com todo o afinco, é já uma garantia inquestionável do que é possível alcançar. Mas as normas a que todo ser humano deve submeter o exercício continuado de suas faculdades mentais deverão ser inflexíveis, no sentido de não tolerar os erros e as deficiências, as quais devem ser corrigidas ou eliminadas à medida que se avança em busca do aperfeiçoamento.

Os obstáculos e dificuldades que geralmente se interpõem ao cumprimento de tão plausíveis desejos de superação são o esquecimento dos propósitos, a falta de vontade para prosseguir o labor iniciado e o tão acentuado costume de deixar sempre para outro dia o que se pode fazer a qualquer momento. Não obstante, sempre se viu que os que triunfam nisto ou naquilo, alcançando as metas almejadas, são os que persistem em seus esforços e corrigem suas atuações deficientes.

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol) – Criador da Logosofia

A Logosofia abre novos horizontes para a vida

A Logosofia oferece novos e valiosos elementos de primordial importância para o desenvolvimento das faculdades da inteligência e propõe uma das concepções máximas do pensamento, sobre a qual haverá de forjar-se a individualidade do futuro. Apresenta, como fórmula ideal para responder às exigências dos problemas futuros, o princípio de reforma individual sobre a base de uma evolução efetiva do pensamento humano rumo a conceitos mais amplos e fecundos, que orientem o homem, permitindo-lhe uma superação verdadeira em todas as ordens da vida.

Entendemos que toda obra fecunda que tenda ao bem comum, que propicie a superação moral e o aperfeiçoamento do indivíduo, deve encontrar o auspício de todos os que nasceram em berços honestos e sintam correr, em suas veias, o sangue abnegado dos que em todas as épocas se preocuparam pelo bem-estar e pelo progresso da humanidade.

Nossos propósitos concentram, como já manifestamos em conferências públicas e em inumeráveis publicações, os mais elevados fins de cultura e de superação em todas as ordens do esforço humano.

Queremos, para as gerações contemporâneas e futuras, um mundo melhor, baseado em compreensões amplas acerca das altas prerrogativas que se abrem ao porvir dos homens, quando estes procuram merecê-las e torná-las suas, mediante o estudo e o entendimento dos problemas que dizem respeito à inteligência, no harmônico jogo do esforço, da consagração e da consideração geral.

Oferecemos, para cumprimento dos deveres que entendemos ineludíveis da consciência, nossos afãs e a produção de nosso espírito, como trabalhadores incansáveis e decididos, para que esta obra, que já se desenvolve em milhares de seres, se difunda e se estenda pelo mundo, levando a palavra de alento, construtiva e fecunda, a fim de comover o coração e a mente de todos e oferecer sua ajuda ali, onde devem ser contempladas as necessidades do futuro, ao se projetarem as novas normas que haverão de imperar no mundo, tal como de uns tempos para cá vem sendo preconizado.

E, quando nos é dado ouvir, de uma inumerável quantidade de pessoas, os benefícios obtidos graças à aplicação do ensinamento logosófico, pensamos que não nos equivocamos ao admitir, com tão fundadas razões, que nossa obra haverá de constituir uma das maiores contribuições para o bem da humanidade.

Texto extraído da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 3, pág. 123-124

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol) – Criador da Logosofia